"Os detalhes que compõem o padrão especial da minha vida como em colchas de retalhos, que são especiais por causa dos pequenos defeitos na costura, pequenos espaços, alto-relevos e falhas que jamais podem ser reproduzidos.
Algumas coisas se tornam lindas quando você realmente olha."
(p. 261)
Se você tivesse a chance de reviver o último dia de sua vida - sete vezes seguidas -, o que faria? Com quem passaria suas últimas horas? Com amigos, familiares, uma pessoa que você ama...? Correria contra o tempo para consertar seus erros?
Se nos seus últimos segundos, um filme sobre sua vida passasse diante de seus olhos, valeria a pena assisti-lo?
Pois esta é a história de Samantha Kingston, uma jovem de apenas 17 anos que aparentemente tem tudo que poderia desejar. Ela é bonita, popular e namora o cara mais cobiçado do colégio Thomas Jefferson. Mas um acidente de carro está prestes a tomar-lhe tudo. Contudo, Sam tem não apenas uma segunda chance, mas sete. Após o acidente, ela acorda naquela mesma sexta-feira, 12 de fevereiro.
Este é um dos dias mais esperados do ano letivo por Sam e suas amigas, pois se trata do Dia do Cupido, o dia em que se envia e recebe "Namogramas" - rosas com bilhetes - de seus amigos, namorado(a) e admiradores. A quantidade de rosas que uma pessoa recebe demonstra o quanto é popular. Claro que ela e suas amigas inseparáveis - Lindsay, Elody e Ally -, estão ansiosas pelas muitas rosas que receberão.
Como típicas garotas populares, Sam e suas amigas acreditam que podem fazer tudo e sair ilesas. Elas matam aulas, infernizam professores e, claro, fazem brincadeiras de muito mau gosto com colegas, escolhendo o alvo para a prática de bullying: Juliet Sykes. Por conta disto, tive receio de odiar a protagonista e consequentemente, detesta a leitura deste livro, mas não foi o que ocorreu. Foi difícil julgá-la, apesar de suas atitudes que desaprovo totalmente. Aos poucos vamos conhecendo melhor cada personagem e notando o que há realmente por trás de suas atitudes.
"Tente não me julgar. Lembre-se de que somos iguais, eu e você.
Também pensei que fosse viver para sempre.”
(p. 102)
Sam tem a oportunidade de mudar. Viver o mesmo dia várias vezes lhe dará a chance de reconhecer como pequenas decisões possuem o poder de grandes mudanças tanto em sua vida quanto na vida das pessoas a sua volta. É o “efeito borboleta” – o bater de asas de uma simples borboleta que poderia provocar um tufão do outro lado do mundo. E Sam finalmente percebe como suas atitudes afetam o outro.
E, percebe como as pequenas rotinas são as verdadeiras responsáveis por sua felicidade. Os “Namogramas” – ou sua popularidade - já não possuem mais o mesmo valor para uma garota que tem suas horas de vida contadas.
"Não consigo parar de pensar em como a vida é estranha, (...) - em como tudo é complexo e conectado, tudo entrelaçado como se fosse uma rede enorme e invisível -, e em como, às vezes, você pode achar que está fazendo a coisa certa, mas na verdade está fazendo algo terrível e vice-versa."
(p. 321)
No fim, me vi torcendo por Samantha. Para que ela tivesse a chance de retomar sua vida depois de ter aprendido sua lição. Torci por ela, por Kent – um amigo de infância de Sam que ela passa a ignorar por conta de sua popularidade; um cara apaixonante que vê na garota algo além do que ela mesma é capaz de enxergar em si -, e por Juliet Sykes, a garota que sofre em silêncio as consequências do bullying até o fardo se tornar insuportável demais para carregar.
“Antes que eu vá” de Lauren Kate é um livro emocionante, muito bem narrado, que partiu meu coração em mil pedaços e me fez refletir sobre ação e reação de cada um de nossos atos e sobre a vida e o tempo; em quão pouco controle temos sobre eles e como em uma questão de segundos todos os nossos sonhos e planos nos são tomados. A vida é frágil e o tempo escorrerá pelos nossos dedos se tentarmos segurá-lo.
Assim como iniciei esta resenha com diversas questões, finalizo com uma última pergunta: “Se hoje fosse seu último dia, como viveria?” Faça valer a pena.
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