terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Branca como leite,vermelho como o sangue

   Leo é um garoto de 16 anos de idade e, sendo um adolescente típico, age como tal: detesta a escola, não entende os pais, gosta de tocar guitarra, não desgruda do celular e do iPod, não perde uma partida de futebol com os amigos e adora disputar corridas de motoneta. Ah...sim, ele está apaixonado pela primeira vez. O objeto de seu afeto éBeatriz, garota branca como o leite, vermelha como o sangue.


“Se ela fosse cinema: gênero a ser inventado. Se fosse perfume: o cheiro de areia de manhã cedo, quando a praia está sozinha com o mar. Cor? Beatriz é vermelho. Como o amor é vermelho. Tempestade. Furação que te varre para longe. Terremoto que despedaça tudo”.

Escrito na forma do diário de Leo, “Branca como o leite, vermelha como o sangue” é uma história de adolescentes, mas é atraente a leitores de qualquer idade, pois aborda temas universais, como amizade, amor, sonhos, filosofia, espiritualidade.

“É incrível a rapidez com que você consegue admitir estar de pijama diante de alguém que não conhece. No hospital é assim que acontece. Talvez porque todo mundo esteja igualmente ridículo, diante da dor e do sofrimento. Todos tão iguais que o pijama é o uniforme certo para anular as diferenças”.

No início, nosso protagonista vive uma paixão platônica por Beatriz, a garota de cabelos cor de fogo. Pensa nela o tempo todo e tenta achar uma forma de se aproximar. Para tanto, conta com a ajuda da amiga Silvia, seu “anjo da guarda”, aquela que está ao seu lado em todas as horas, que o ajuda com os estudos, que dá conselhos amorosos e que vê nele algo mais que um amigo, mas que, infelizmente, Leo não consegue retribuir. Ao longo da história, Silvia passa a ser cada vez mais importante para Leo.

“Silvia é como a ressaca do mar: está sempre ali, mesmo que você não a escute. E, se você a escuta, ela te embala. Se eu amasse Silvia, me casaria logo com ela, mas o amor não é ressaca, o amor é tempestade”.

Outro personagem fundamental é o Sonhador, o novo professor de história e filosofia. Desacreditado pelos alunos, o Sonhador consegue cativar a todos com suas histórias e paixão genuína pela profissão. É ele quem abre as portas do desconhecido para Leo, quem ajuda o garoto a reconhecer seus sonhos e o estimula a correr atrás para realizá-los.

“Os sonhos são como estrelas: você as vê brilharem todas, quando as luzes artificiais se apagam, e no entanto já estavam ali antes. Você é que não as via, por causa do excesso das outras luzes”.

A aproximação entre Leo e Beatriz não é fácil e ocorre por um motivo ruim. Ironicamente, é essa situação ruim que transforma o garoto em homem e converte o interesse sexual que Leo tinha por Beatriz em amor verdadeiro. Por Beatriz, Leo dá o sangue, corre o risco de repetir de ano, fica de castigo, deixa de lado as provocações infantis dos amigos de futebol. Tudo o que ele quer é vencer o branco.

“O silêncio é branco. Na verdade, o branco é uma cor que não suporto: não tem limites. Virar a noite em branco; passar em branco; levantar bandeira branca; deixar o papel em branco; ter cabelo branco... Ou melhor, o branco não é sequer uma cor. Não é nada, é como o silêncio. Um nada sem palavras e sem música. Em silêncio: em branco.”

O que chamou minha atenção logo de cara nesse livro foi a capa lindíssima e o título impactante. Li a sinopse e me interessei ainda mais. Sabia que seria uma história triste, mas não imaginei que fosse contada de forma tão original. Achei o uso das cores para expressar as sensações de Leo muito bacana. As dúvidas quanto à existência de Deus e as discussões do garoto com o Todo-Poderoso são mostradas de um jeito divertido. O livro conseguiu me fazer rir e chorar com a mesma facilidade e devorei as 367 páginas em apenas 4 dias. É daquelas histórias que conseguem te envolver em um turbilhão de emoções e, no fim, deixa uma sensação estranha de saudade, quando nos despedimos dos personagens. Altamente recomendável!

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